Ameaças ao Brasileiro em turno e returno e de menos dinheiro geram divisão entre os clubes sobre parada

Rio de Janeiro

 


Não houve consenso entre os clubes que participam da Copa do Brasil de que se deveria paralisar os torneios nacionais. Se houvesse, a CBF provavelmente diria que todas as competições do país estavam suspensas, em vez de deixar as decisões para as federações estaduais.

Mas é o que, na prática, deve acontecer nesta segunda-feira. À parte o Flamengo pensar diferente do Palmeiras e do Corinthians, a lógica é que os estaduais sejam interrompidos nas reuniões desta segunda-feira. Só os pequenos clubes que estão bem pretendem manter a atividade. O Guarani deseja manter a bilheteria aberta para o Dérbi desta segunda-feira.

Porque cada um pensa só em si.

O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, mandou fechar o clube social desde sábado, dia 14. É um dos líderes dos grandes clubes. Não é preciso muito esforço para entender que Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo defendem a paralisação.

O problema não é parar os campeonatos agora.

Duro vai ser os principais clubes do país concordarem sobre como será o reinício do futebol, daqui a duas semanas -- ou daqui a dois meses. Porque o calendário do futebol sempre teve datas suficientes para preencher quinze meses e obrigado a adaptá-los a 365 dias.

Maurício Gomes de Mattos e Rodolfo Landim posam com o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, na Espanha — Foto: Reprodução / FacebookMaurício Gomes de Mattos e Rodolfo Landim posam com o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, na Espanha — Foto: Reprodução / Facebook

Maurício Gomes de Mattos e Rodolfo Landim posam com o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, na Espanha — Foto: Reprodução / Facebook

Desde a semana passada, algumas hipóteses foram colocadas aos clubes, em conversas com a cúpula da CBF. Uma delas é voltar com os torneios interrompidos e, só depois, começar o Brasileirão. Nesse caso, pode não haver datas para fazer turno e returno com pontos corridos. Antes que os apologistas do mata-mata comemorem, vale a próxima reflexão: o dinheiro diminui.

Uma coisa é a TV pagar por 38 rodadas. Outra é pagar a mesma coisa por 19 jogos mais mata-matas.

Quando se trabalha menos, ganha-se menos, lógica já imposta a bares, restaurantes, academias, teatros e cinemas que precisem fechar na Europa ou Brasil.

É lógico que a saúde está acima de todas as coisas. Que a paralisação deve acontecer, apesar da discordância do presidente da República. Mas haverá perdas inevitáveis.

Outra hipótese do calendário é começar o Brasileirão e declarar os estaduais sem campeões neste ano. Priorizar o campeonato mais importante do país, o Brasileiro, e dane-se o resto.

Um terceira chance é concluir os estaduais até agosto – se o coronavírus deixar – e começar o Brasileirão em setembro, para a nova temporada 2020/21. É a chance de readequar o calendário, igualá-lo à Europa e chutar os estaduais para que sejam espalhados pelo ano inteiro, já a partir de 2020.

A ideia é ótima, eu penso assim e se você também pensa me faz companhia, mas tem um monte de dirigente que julga isto uma sandice. Democracia não é bom só quando você concorda comigo. É bom quando você discorda, também.

Pois o problema central para o reinício será o consenso.

Os clubes brasileiros nunca se entenderam sobre divisão de cotas de televisão, nunca se acertaram sobre a criação de uma liga de clubes, nunca pensaram igual sobre nada.

Vai ser duro convencer o Flamengo de que será necessário jogar só dezenove rodadas de Brasileirão e decidir no mata-mata – se for o caso – ou mostrar ao Palmeiras a necessidade de manter os pontos corridos.

A paralisação do coronavírus é necessária, mas ainda vai dar muito problema. GE

Categoria:PARAÍBA

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