PGR denuncia deputado Wilson Santiago por organização criminosa e corrupção passiva

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que autorizou as buscas, também determinou o afastamento de Santiago do mandato.

A defesa de Santiago diz que a operação teve como base informações de um delator que buscou se favorecer e criminalizar o trabalho do deputado. A assessoria de João Bosco Nonato Fernandes afirma que a defesa do prefeito vai provar sua inocência, mas só vai se pronunciar depois de acessar toda a investigação.

Segundo o Ministério Público, investigações revelaram que, entre outubro de 2018 e novembro de 2019, a empresa responsável pela construção da adutora, a Coenco Construções, recebeu R$ 14,7 milhões de dinheiro público e repassou, como propina, R$ 1,2 milhão a Wilson Santiago e R$ 633 mil a João Bosco Fernandes.

Em imagens coletadas pela Polícia Federal, o prefeito João Bosco Nonato Fernandes aparece escondendo propina dentro da cueca.

Imagens feitas pela PF mostram prefeito de Uiraúna, João Bosco Fernandes, guardando dinheiro na cueca — Foto: ReproduçãoImagens feitas pela PF mostram prefeito de Uiraúna, João Bosco Fernandes, guardando dinheiro na cueca — Foto: Reprodução

Imagens feitas pela PF mostram prefeito de Uiraúna, João Bosco Fernandes, guardando dinheiro na cueca — Foto: Reprodução

Licitação direcionada

Em julho de 2017, segundo a PGR, Wilson Santiago propôs a João Bosco e a um empresário o direcionamento da licitação da obra. A construção da adutora, segundo as investigações, foi licitada pelo município e paga com recursos federais.

Pelo acordo, conforme o MP, 15% de todo o investimento seria devolvido aos políticos, sendo 10% para Wilson Santiago e 5% para João Bosco.

Segundo a PGR, o contrato para a realização da obra foi assinado em abril de 2018 e, a partir dessa data, o deputado federal entrou em contato outras pessoas para poder viabilizar o repasse de propina.

A essas pessoas, de acordo com o Ministério Público, coube a coordenação das atividades da organização criminosa, o recolhimento da propina e o transporte de valores. Como contrapartida, participantes do esquema foram, segundo a PGR, nomeados em fevereiro deste ano no gabinete do deputado Wilson Santiago.

A PGR pede a condenação dos integrantes da organização criminosa e também a devolução de R$ 14,8 milhões.

"[Os integrantes do grupo], de comum acordo e em comunhão de vontades, passaram a integrar organização criminosa, associando-se de forma estruturalmente ordenada e mediante divisão de tarefas, com o objetivo de angariar vantagem patrimonial indevida", diz trecho da denúncia assinada pelo procurador José Bonifácio de Andrada.G1.COM

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